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MESA 12 - LINGUA (DE) VIAGEM: TRADUÇÃO-ARTE & POESIA DE VÁRIO TEMPO E LUGAR

  • Auditório do Centro Educacional Integrado Rua Coronel Sebastião Marcondes da Silva, 1 Rua Coronel Sebastião Marcondes da Silva, 1 Santo Antônio do Pinhal - SP (mapa)

Álvaro Faleiros
Guilherme Gontijo Flores
Henrique Provinzano Amaral
Vanderley Mendonça

Tradução-arte é um termo usado por Augusto de Campos como uma forma de aproximar o ofício do tradutor da arte do drible no futebol. 
Pensar a arte de traduzir num mundo pós-Babel, em que tradução e criação são operações gêmeas e, portanto, processos indistintos um do outro, é propor uma discussão sobre o fazer do poeta-tradutor, ou tradutor-poeta, e acrescentar visões que contribuam e produzam um refluxo na própria poesia. 
A tradução de poesia é um processo de contínua e mútua fecundação que pode ser observado, se lido com atenção, em obras editadas a partir do século XX. Paz, Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari e Giuseppe Ungaretti, leitores multilíngues, fizeram traduções de traduções e deram valor literário e poético ao que antes tinha apenas valor filológico. 
É preciso ter um pacto com a linguagem para não ser excluído dela. O tradutor parte dos arrabaldes do verso para tentar encontrar uma “palavra absoluta”, como buscou Mallarmé ao (re)traduzir versos indianos, ou como Rabelais sonhou o “poema-metamorfose”. 
Ao leitor atento cabe ter olhos para ver essas metamorfoses nas línguas. Com esse espírito e norte, uma nova geração de tradutores, que não se valem só do sabor das línguas que conhecem para recriar poemas em português, tem se empenhado em dar a conhecer a poesia e poetas de outros tempos e lugares.